Medo e insegurança: Novo Hamburgo vive seu ano mais violento
11 Out
Novo Hamburgo - Oitenta e três mortos a tiros ou facadas, cerca de 1,2 mil carros levados por ladrões e o crescimento vertiginoso da indústria da extorsão contra vítimas de furtos e roubos de veículos fazem de 2012 o ano mais violento da história de Novo Hamburgo. Some-se a isso a desenfreada onda de ataques ao comércio e residências. Em protesto, 1,6 mil pessoas enfrentaram a chuva, ontem à tarde, numa das maiores passeatas pela paz que o Município já viu. O estopim foi a execução de dois jovens na madrugada de domingo.
Nos números frios das estatísticas, o duplo assassinato gerou uma das 21.434 ocorrências registradas de janeiro até as 18 horas de ontem na Delegacia de Polícia de Pronto Atendimento (DPPA). O aumento do movimento no órgão é um sintoma de que a segurança pública está doente. A projeção é que a DPPA feche o ano com mais de 26 mil boletins, superando em 2 mil o total de 2011. Considerando que as 3.ª e 4ª DPs também recebem queixas de crimes, Novo Hamburgo deve terminar 2012 com mais de 40 mil ocorrências. Média de 3,3 mil por mês para uma cidade de aproximadamente 250 mil habitantes.
Os investimentos privados em vigilância, escolta armada, câmeras de monitoramento e alarmes de última geração, além de muros e cercas elétricas, não são suficientes para suprir a segurança que o Estado deveria garantir. Os ladrões estão cada vez mais armados e ousados.
“Não quero vingança”, diz pai
A passeata, que estava com mais de três mil pessoas confirmadas pela rede social Facebook, foi prejudicada pela chuva. Mesmo assim, os organizadores consideram impressionante a mobilização mesmo em meio ao tempo ruim. Segundo a Guarda Municipal, foram 1,6 mil participantes. O trajeto de 1,5 quilômetro começou por volta das 16h30 na Rua Gomes Portinho e terminou uma hora depois na Prefeitura, com pronunciamentos de organizadores, familiares das vítimas do duplo assassinato e do prefeito Tarcísio Zimmermann. “Não quero vingança. Quero que a Polícia prenda. Que isso não aconteça mais”, declarou o empresário Antonio Lucio Lopes de Freitas, 55 anos, pai de Nicolas Gottschald de Freitas, 20, executado com um tiro na nuca. “Nossos jovens não podem perder a vida assim. Eram meninos de família, que estavam no lugar errado na hora errada”, completou ele, com a foto do filho na mão. Carlos Fernando Kirsch, 50, pai da outra vítima, Brunno Zimmermann Kirsch, 22, morto com um disparo na cabeça, também pediu paz, assim como o prefeito. “Manifestamos nossa solidariedade às famílias desses jovens assassinados”, frisa Tarcísio.
A passeata, que estava com mais de três mil pessoas confirmadas pela rede social Facebook, foi prejudicada pela chuva. Mesmo assim, os organizadores consideram impressionante a mobilização mesmo em meio ao tempo ruim. Segundo a Guarda Municipal, foram 1,6 mil participantes. O trajeto de 1,5 quilômetro começou por volta das 16h30 na Rua Gomes Portinho e terminou uma hora depois na Prefeitura, com pronunciamentos de organizadores, familiares das vítimas do duplo assassinato e do prefeito Tarcísio Zimmermann. “Não quero vingança. Quero que a Polícia prenda. Que isso não aconteça mais”, declarou o empresário Antonio Lucio Lopes de Freitas, 55 anos, pai de Nicolas Gottschald de Freitas, 20, executado com um tiro na nuca. “Nossos jovens não podem perder a vida assim. Eram meninos de família, que estavam no lugar errado na hora errada”, completou ele, com a foto do filho na mão. Carlos Fernando Kirsch, 50, pai da outra vítima, Brunno Zimmermann Kirsch, 22, morto com um disparo na cabeça, também pediu paz, assim como o prefeito. “Manifestamos nossa solidariedade às famílias desses jovens assassinados”, frisa Tarcísio.
Um abaixo-assinado pela paz e segurança foi lançado na passeata. “É para cobrar soluções com prazos definidos para providências. Queremos que seja estabelecido, por exemplo, quando teremos mais policiais nas ruas”, frisou a designer Luciana Raimundo, 38. “Queremos encadernar o material e entregar ao governador”, completou o representante comercial Carlos Henrique da Rosa, 41. As irmãs Rafaela, 21, e Eduarda Diefenbach, 15, foram à passeata com um cartaz que mostra o sentimento delas: “Andar por Novo Hamburgo me dá medo”. Eduarda explicou que, no final do ano passado, ela e os pais foram feitos reféns de criminosos em casa. “Eu também já fui assaltado” era a faixa do empresário Maurício Pisol, 58, entre várias outras frases de pedidos por mais segurança.
Imagens atestam trajeto
O delegado da 3.ª DP, Alexandre Quintão, revelou ontem que conseguiu imagens que atestam o trajeto do Vectra desde a abordagem aos jovens, na Rua Bento Gonçalves, Centro, até a área das execuções, no bairro Canudos, conforme relatado pelo amigo das vítimas que sobreviveu. “São de câmeras de empresas, mas só mostram o carro. Não dá para ver nada dentro.” O rosto do retrato falado ainda não foi identificado. “Recebemos várias informações e checamos todas, mas nenhuma se confirmou.” O motivo do crime ainda é mistério. Informações: 8475-4596.
Reforço
Em resposta à criminalidade, o Comando Geral da Brigada Militar anunciou ontem que enviará a Novo Hamburgo uma força-tarefa de 20 policiais para o policiamento ostensivo na área central.
“O grupo deve entrar em ação na cidade na próxima semana, por tempo indeterminado”, observa o comandante interino da corporação no Vale do Sinos, tenente-coronel Carlos Marques. Ele frisa que só policiamento não resolve. “É preciso tornar as leis mais rígidas, para que o criminoso cumpra a pena no regime fechado. Temos que acabar com esse prende-solta.”
