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Nem só de mensalão, Operação Lava-Jato e julgamentos de naturezas diversas respiram os servidores do Supremo Tribunal Federal (STF). Em meio a tantas etiquetas, expressões diferenciadas do meio jurídico e clima pesado, que muitas vezes paira pela Casa, pelo menos para o segurança Joaneison Moreira, o ambiente também é propício à arte. Com as etiquetas de papel adesivo, emitidas para identificação dos visitantes e recolhidas na saída, o segurança, que presta serviços na Casa há apenas um ano e dois meses, encontrou uma forma de reciclar os papéis e exercer seu lado artista. Tudo começou quando teve a ideia de fazer um copo. Todos elogiaram. Foi então que pediu aos colegas de todas as portarias que juntassem as etiquetas. Logo ele conseguiu fazer a Torre Digital de Brasília. Os elogios foram ainda mais intensos, o que elevou sua motivação. No total, de novembro do ano passado até aqui, já foram 12 esculturas de diversos monumentos do Distrito Federal e até de fora, como a francesa Torre Eiffel. O STF foi a última escultura feita por Moreira e a que mais rendeu elogios por parte dos colegas e também do público, que passou a considerá-lo um artista talentoso. Entre os monumentos de Brasília, o segurança já fez a Catedral, o Congresso Nacional, o Museu Nacional e a estátua da Justiça. As esculturas ficam distribuídas entre as portarias. Chamam atenção dos visitantes, que já pediram para comprar, e, também, dos ministros, que já enalteceram o trabalho artístico do segurança. É o caso da ministra Rosa Weber e do ministro Marco Aurélio Mello e do procurador-geral da República, Rodrigo Janot. Sobre a venda, Joaneison diz que nunca pensou na possibilidade. Menos ainda agora, depois que os colegas do tribunal o incentivaram a guardar as peças para uma futura exposição. “Eu começei a fazer meio sem saber como ia ficar. No final, ficava legal e o pessoal ia pedindo para fazer outro. Faço sempre fora do expediente. Já cheguei a ficar aqui por duas horas após o meu horário trabalhando nisso. Fiquei muito feliz quando a ministra Rosa Weber elogiou. O ministro Marco Aurélio já disse que era interessante e o procurador-geral olhou e falou que gostou”, gaba-se Moreira. De acordo com o segurança, sua vontade é fazer arquitetura, curso que ele até começou a estudar, mas logo no primeiro semestre teve que abandonar por motivos financeiros. De acordo com ele, o dom é natural e começou ainda na infância, quando fazia seus próprios carrinhos de lata. “Quando eu era criança fazia meus carrinhos de lata, fazia as maquetes da escola, mas nunca trabalhei com isso. Nunca tive essa oportunidade, até mesmo por nunca ter feito nenhum curso da área. Os colegas falam para eu acreditar”. Caminho difícil Morador do bairro Itapoã, no entorno de Brasília, Moreira tem 31 anos e é natural de Formoso, em Minas Gerais. Veio para a capital do país há 12 anos em busca de estudo, trabalho e melhores oportunidades. História parecida com a de milhares de brasileiros que migram para as grandes cidades em busca de realizações na vida pessoal e profissional. De acordo com o segurança, o lote onde mora com o irmão foi comprado por R$ 200, oportunidade conseguida em 2002, quando o bairro ainda estava sendo criado por meio de invasões. Com a aquisição, os dois dividiram o lote e cada um construiu seu espaço. De origem familiar humilde, ele afirma que até chegar ao cargo de segurança no STF foi um longo caminho. No entanto, ainda pensa em voos mais altos como se graduar em arquitetura ou engenharia, ter suas peças expostas e poder ajudar parte da família que ficou em Minas. “Meu pai trabalhou duro a vida toda, nos criou de forma rígida e honesta. Já passei por vários momentos difíceis desde que cheguei aqui, mas nunca me envolvi com nada de errado. Só quero mesmo é ter uma formação na área que gosto e realizar outros sonhos na vida. Um deles é um dia, talvez, ter esse trabalho reconhecido e exposto”, afirmou. Fonte: Fato Online |