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Duas mulheres resolveram encarar uma profissão bem masculina e realizar a segurança das agências bancárias de Santos, no litoral de São Paulo. Elas precisam driblar o preconceito de estarem em um ambiente característico dos homens, dizem que já receberam cantadas e que são julgadas por escolherem uma profissão perigosa. No dia das mulheres, elas vão contra todas as teorias, dizem que amam ser vigilantes e desempenham o trabalho tão bem quanto os homens. Elas mostram que, atrás da farda, mantém o lado feminino sempre vivo. Há 17 anos, Neide da Costa é vigilante de uma agência bancária no bairro do Gonzaga. Após casar e ter filhos, ela tinha que ajudar o marido nas despesas de casa. “Eu tinha vontade de ser policial militar, mas como eu casei muito cedo e tive filhos, acabei não conseguindo. Eu optei por ser segurança. Fiz cursinho, fazia de noite e cuidava dos meus filhos durante o dia”, conta. Neide virou vigilante bem jovem, quando a profissão era exercida apenas por homens, o que logo causou um preconceito por parte do próprio marido. “Ele não queria, achava que eu ia ter muito contato com homem e que não estava certo. Disse que eu teria que escolher entre a minha profissão e a minha família. Ele pensou que eu ia desistir, mas eu persisti e fiz o curso mesmo. Ele até ia me buscar, fazia aquela pressão, mas acabou aceitando”, diz. O currículo mostrava que ela era mãe de quatro filhos e casada, o que dificultou a contratação como vigilante. “Eles disseram que não dava por causa dos filhos, que eu ia me atrasar, ia faltar. O meu primeiro patrão me deu um voto de confiança”, lembra Neide, que foi contratada por uma empresa que terceiriza vigilantes.
Ela passou a trabalhar na agência bancária que está até hoje e é conhecida e respeitada por todos. Apesar disso, assim como no início, ela continua sentindo as consequências de ter escolhido uma profissão exercida em grande maioria por homens. No dia a dia, ela já teve que provar que desempenha a função tão bem quanto os outros. “Entrou dois rapazes, roubaram o malote e, na hora, a moça do caixa gritou. Nós trancamos a porta, abordamos o rapaz, tiramos a arma e apontamos a arma para a cabeça dele. Não tenho um pingo de medo. Para esse lado eu sou muito forte. Eu ponho a roupa de vigilante e mudo”, conta. Egle passou a trabalhar na agência bancária, armada e com colete a prova de balas. A escolha profissional a deixa realizada. “Eu adoro arma. Sou apaixonada por isso. Eu gosto de banco. Já pensei em fazer curso para trabalhar em carro forte. Eu gosto do risco, o risco me atrai”, afirma a jovem vigilante. Quando entrou na profissão, Egle ganhou o apelido de pitbull por parecer durona. Ex-praticante de boxe tailandês e atuante no jiu-jitsu, Egle diz que muitos se enganam com sua personalidade e suas preferências. “A profissão é masculinizada. Todo mundo acha que a gente é lésbica ou sapatão. Tem muito disso. Já tive cantada tanto de homem como mulher. Meu pai acha um máximo, meus amigos também, alguns têm medo, alguns têm receio, falam que é perigoso, falam para eu sair, mas eu gosto”, fala.
Antes de entrar em ação, ela brinca e dá risada com os outros vigilantes do banco. Mas, quando veste a farda, tudo muda. “Eu sou brava na hora que eu tenho que ser. Abriu a agência, minha cara é fechada, dou pouca risada. Não é uma profissão que eu tenho que mostrar os dentes, senão o povo monta e não é assim que funciona”, diz Egle. Se um homem a desafia ou se é grosso com ela, a vigilante diz que responde a altura.
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Fonte: G1 |