Por: CNTV | Confederação Nacional de Vigilantes & Prestadores de Serviços
Postado: 14/01/2013
Vigilantes apelam ao prefeito para receber 2 meses de salário
Salários atrasados
 
O Ministério do Trabalho e a Secretaria Municipal de Obras Públicas precisaram firmar um acordo para que 14 funcionários de uma terceirizada da Prefeitura recebam salários atrasados há mais de 60 dias.

Esse acordo foi feito em reunião realizada na tarde de ontem, após intervenção do prefeito Marcelo Barbieri (PMDB).

O grupo presta serviço de vigilância em cinco unidades de saúde em construção desde setembro de 2012, mas não recebe da empresa responsável pelas obras desde novembro.

Insatisfeitos e liderados pelo funcionário Adalberto Lima dos Santos, os vigilantes elaboraram documento, enviado ao prefeito, ameaçando parar de trabalhar se não recebessem até ontem. Eles ameaçavam ainda chamar a imprensa para “divulgar todos os problemas”.

Segundo apurou a reportagem durante conversa com funcionários da terceirizada, após receber a carta, o prefeito teria pedido que o caso não fosse divulgado, além de solicitar mais dois dias para resolver o problema, quando então agendou a reunião. De acordo com Santos, os funcionários não sabem exatamente qual é a responsabilidade da Prefeitura, no que se refere ao pagamento atrasado.

“Só sabemos que essa empresa nos contratou, não pagou, sumiu e queremos nosso dinheiro. Como a segurança é feita nas obras da Prefeitura, recorremos ao prefeito”, disse o vigilante.A assessoria de imprensa da Prefeitura informou, por meio de nota, que o Município foi “convidado a participar da reunião”.

Acordo

Na reunião, o secretário de Obras Públicas, Valter Rozatto, foi questionado pela Justiça do Trabalho se existia algum pagamento a ser feito à empresa terceirizada e informou que havia um depósito de R$ 54 mil agendado para hoje, referente à última medição dos serviços.

Assim, ficou determinado que o dinheiro será destinado exclusivamente para pagamento dos salários atrasados dos 14 vigilantes.

‘Quero receber e sair, porque com eles não dá mais’, afirma vigilante

O vigilante Adalberto Lima dos Santos, que liderou o grupo e elaborou o documento enviado ao prefeito, disse que o acordo, a princípio, foi “satisfatório”, pois todos vão receber os salários atrasados referentes a novembro e dezembro, inclusive as horas extras de Natal e Ano-Novo. “Prometeram também fazer o registro com a data correta, de 24 de setembro, quando entramos, e a rescisão daqueles que decidirem sair”, explicou Santos.

O pagamento e os acertos na carteira de trabalho dos 14 funcionários serão feitos na sede do Sindicato da Construção Civil, na tarde de hoje.

“Depois que estiver tudo certo, cada vigilante pode decidir se quer continuar trabalhando para essa empresa ou sair. Eu quero sair e sei de mais uns seis, pelo menos, que vão desistir também, porque com eles não dá para trabalhar mais”, concluiu.

Obras deveriam estar prontas até setembro

A empresa terceirizada tem sede em Campinas e venceu a licitação para construção de cinco unidades de saúde, nos bairros Jardim Brasília, Adalberto Roxo, Jardim Altos de Pinheiros, Jardim Paraíso e Vila Xavier.

Todas as obras estavam previstas para terminarem em agosto ou setembro do ano passado, mas apenas duas delas estão na fase de acabamento, enquanto as outras encontram-se ainda em fase estrutural. Ninguém da empresa foi encontrado para comentar o caso.