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| Equipamentos eletrônicos como câmeras e alarmes e também escoltas armadas têm procura ampliada por goianos Um espiral da violência onde todos são suspeitos e a desconfiança é o código predominante. Uma geração que tem seguro de carro, de vida, cerca elétrica em casa, câmeras de segurança, escolta armada, vidro blindado, casa em condomínio fechado e medo: de assalto, de morte, de estupro, de roubo, de furto, de tudo. Não importa se a violência de fato é exorbitante ou não, mas a televisão mostra que é, o vizinho relata um caso e as pessoas vão se protegendo, cada vez mais. Marcos (nome fictício) teve dois tios assassinados em 2012, ambos de forma violenta e foi então que a rotina da família começou a se modificar. O tio materno, Gilmar Pimentel, de 49 anos, morreu em 16 de abril, assassinado com dois tiros na cabeça durante a madrugada. O corpo foi encontrado por volta de 5 horas, dentro da caminhonete da vítima, uma Hilux, no Residencial Três Marias, em Goiânia. A motivação, assim como a autoria do crime ainda não foi esclarecida. Seis meses depois, em 17 de outubro, foi um tio paterno de Marcos que morreu. João Alves Felipe, de 57 anos, era vendedor de uma loja de materiais de construção, no Jardim Nova Esperança, em Goiânia. Ele reagiu a um assalto e foi morto com três tiros. "Inicialmente um suspeito chegou a ser preso, mas foi liberado depois porque, segundo o delegado que estava com o caso, o suspeito preso era inocente", afirmou Marcos. Marcos lamenta que, até o momento, ainda estejam impunes os suspeitos das mortes dos tios. "Tivemos a greve da Polícia Civil e outros casos de grande repercussão como a chacina de Doverlândia, a chacina de Aparecida e a queda do helicóptero da Polícia Civil entre outros crimes. São muitos casos a serem investigados e, acredito que por isso, ainda não temos respostas", finaliza. O sobrinho conta que a rotina da família mudou bastante e ele, que era morador de outra cidade, se transferiu para Goiânia com o intuito de auxiliar nos negócios do tio Gilmar. "Contratamos uma empresa de segurança privada para a casa do meu primo e nos carros colocamos bloqueadores, seguro e rastreadores. Antes de entrar em casa, por exemplo, damos uma volta no quarteirão para ter certeza de que não há suspeitos nos seguindo ou ao redor da casa. Não tem jeito, fica a sensação de medo e impunidade", completou. O jovem não é o único a contratar o serviço de uma empresa de segurança. Segundo Marcelo Martins Batista, superintendente do Grupo Tecnoseg que atua em Goiás e Mato Grosso, a busca por vigilância armada aumentou em 25% neste ano. Já no quesito segurança eletrônica, o aumento foi de 30% para alarmes e 60% em câmeras. "Precisamos neste ano cerca de 30% mais funcionários que o quadro possuía o que corresponde a aproximadamente 500 funcionários", acrescentou Marcelo. Câmeras O superintendente explica que a câmera é o equipamento mais procurado. Isto porque é usada para diversas finalidades atingindo, inclusive, locais que não necessitam de alarme como apartamentos. "As câmeras servem para vários tipos de segurança englobando babás, empregadas, e também contra roubos e furtos e por isso são muito procuradas", completa. Os preços variam dependendo se elas são convencionais ou de alta geração. "Hoje temos câmeras sem fio que podem custar até mil reais. Outras comuns podem custar R$ 100, 120. Não vou dizer que uma ou outra é melhor, depende da sua necessidade. A vantagem da câmera sem fio é que ela não precisa de cabeamento passando pela casa. A instalação é mais fácil. Tudo vai depender da finalidade procurada". Serviço de escolta armada é procurado por turistas Para segurança privada, a procura está crescendo principalmente de gente que vem de fora. Muitos seguranças buscam clientes no aeroporto e o acompanham durante o dia nas atividades de negócios. "Com a Copa de 2014 essas autoridades nos procuraram de forma mais frequente. Outras pessoas que sofrem ameaça também procuram segurança armada. É um serviço caro, em média R$ 70/hora, mas o valor também depende se haverá carro blindado ou outros serviços acrescentados", garante Marcelo. Para trabalhar com escolta armada, entretanto, é necessário que os guardas passem por curso credenciado pela Polícia Federal. Em seguida, depois de contratados passam também por treinamento da empresa. "Temos guardas na rede bancária, em empresas de forma geral, postos de gasolina e um mercado que cresceu bastante é o de condomínios", concluiu. Para se ter um vigilante por 24 horas, o superintendente afirma que o valor médio que é R$ 13 mil/mensais. Cuidados necessários Com o crescimento da demanda, aumentaram também as ofertas. O problema, segundo o superintendente da Tecnoseg, é que nem todas as empresas são responsáveis. "O mercado está bastante aquecido, mas muitas empresas passaram a atuar na área, mas de forma irresponsável. Hoje, 16% dos clientes que atendo buscam alguém que conserte equipamentos que compraram em outra empresa". |