Por: CNTV | Confederação Nacional de Vigilantes & Prestadores de Serviços
Postado: 20/11/2012
Aumentam ataques contra caixas eletrônicos
Aumento dos ataques
 
PR já registrou 97 explosões este ano contra 8 em 2011; sindicatos exigem mais segurança e regras para instalação de equipamentos

Para o professor Eduardo Sérgio da Silva os caixas eletrônicos facilitam a vida, mas reconhece que a falta de segurança expõe o cliente

O número de ataques a caixas eletrônicos mais que dobrou este ano no Paraná em comparação com o mesmo período de 2011. Os principais alvos são os terminais localizados fora das agências bancárias, em virtude da falta de segurança. De acordo com dados da Federação dos Vigilantes do Paraná, até outubro foram 97 explosões de máquinas de autoatendimento. Durante todo o ano de 2011, foram apenas 8.
O levantamento aponta ainda que o número de ocorrências envolvendo serviços bancários sobe para 206 se forem levados assaltos, arrombamentos e as chamadas saidinhas de bancos, que é o ataque ao cliente que acaba de deixar a agência com dinheiro no bolso. O dado é referente ao período de janeiro a outubro de 2012 e inclui duas mortes. Já no ano passado, foram 98 ocorrências.
Os ataques aos caixas fora das agências têm sido constantes, já que há um acesso mais fácil ao dinheiro por parte dos ladrões. Nestes locais existe menos policiamento e o coeficiente de segurança, como câmeras de vigilância, também é menor, explica o delegado titular do Centro de Operações Policiais Especiais (Cope) do Estado, Hamilton da Paz.
Ações para aumentar a segurança dos usuários e trabalhadores têm sido requisitadas por orgãos que representam os bancários e vigilantes desde 2010. Os sindicatos exigem monitoramento em tempo real dos caixas eletrônicos, mais vigilantes, biombos entre os caixas, portas com detector de metais na entrada das salas de autoatendimento, entre outras providências. A maioria dos crimes começa no interior do banco. É um projeto de proteção à vida, argumenta Otávio Dias, presidente do Sindicato dos Bancários de Curitiba e Região Metropolitana.
Para o professor de educação física Eduardo Sérgio da Silva, de 36 anos, a instalação de caixas eletrônicos em vários pontos da cidade facilita a vida do cliente. Ele reconhece, no entanto, que falta segurança. Em muito lugares realmente é perigoso, principalmente fora do horário bancário. Faltam vigilantes no período da noite. Sempre fico atento, observando ao redor quando vou em algum caixa, frisa Silva.
No primeiro semestre deste ano 29 pessoas morreram no Brasil, entre clientes, funcionários e vigilantes, após crimes em agências bancárias. No Paraná, um policial e um ex-agente penitenciário foram mortos no dia 10 de setembro em Curitiba, quando escoltavam um empresário que faria um depósito em dinheiro. Os assaltantes estavam dentro da agência, aguardando a chegada do cliente. Além de matarem os homens, os bandidos levaram o dinheiro e as armas que estavam com o PM e o ex-agente.
Não existe lei nem critério para a instalação de caixas eletrônicos. Coloca-se um caixa em qualquer lugar, onde não há a mínima condição de segurança. Imagine a explosão de um caixa em um posto de combustível? A tragédia que isso ia resultar. E está cheio de caixas eletrônicos em postos no Paraná todo, adverte o presidente da Federação dos Vigilantes do Paraná, João Soares.
Segundo o delegado do Cope, os ataques aos caixas eletrônicos no Paraná são de responsabilidade de várias quadrilhas que agem de forma pulverizada em todo o Estado. Temos notado um crescimento de ocorrências nas pequenas cidades do Estado, onde há um aparato policial menor, relata Hamilton da Paz. Temos identificado e prendido várias quadrilhas no Paraná.
Para a polícia, o número de casos tem aumentado em todo o País e não só no Estado. O arrombamento de caixa eletrônico substitui o assalto a banco, que é mais complexo e arriscado para os marginais. E a possibilidade de pena é menor. A invasão aos caixas eletrônicos é qualificada como furto e não roubo, aponta o delegado.
No Paraná, ainda este ano, foram registrados 11 crimes denominados saidinhas de banco e dois assaltos a carros-fortes.
Os sindicatos e os orgãos de segurança do Estado cobram maior rigor por parte do Exército na fiscalização da venda, do transporte e do armazenamento de artefatos explosivos. Hoje você compra dinamite por R$ 10 na região de Foz do Iguaçu, relata João Soares. Esses ladrões ou arrombam os armazéns das pedreiras para roubar explosivos ou compram de quadrilhas especializadas em invandir estes locais, acrescenta Hamilton da Paz.
O Exército é responsável pela fiscalização do comércio, fabricação, transporte e uso de material explosivo. A nossa área é ampla, mas conseguimos fazer um bom atendimento e uma fiscalização eficiente nas empresas, garante o tenente Álvaro da Costa e Sousa Neto, chefe do setor de Fiscalização de Produtos Controlados, do 30º Batalhão de Infantaria Motorizada (BIM), de Apucarana, responsável pela fiscalização no Norte do Paraná.
Apesar das autoridades não admitirem de forma oficial, a FOLHA apurou que grande parte dos explosivos usados pelas quadrilhas do Paraná entra de forma clandestina no Estado pelas fronteiras, assim como acontece com as armas e drogas.