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Aumenta escolaridade de terceirizados, mas categoria ainda vê desvantagem salarial

19 Mar

Sete em cada dez trabalhadores terceirizados possuem escolaridade do nível médio ao superior e ocupam funções em principalmente cinco setores de atividades. São eles serviços gerais, limpeza e conservação, vigilância e segurança, processamento de dados, logística e telemarketing.

Em 2005, 42,1% dos empregados terceirizados tinham escolaridade nessa mesma faixa (nove anos ou mais). E, em 1985, eram 19,8% os que possuíam essa formação educacional.

A informação consta de estudo elaborado pelo professor Marcio Pochmann, do Instituto de Economia e do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho da Unicamp. Os dados foram obtidos pela Folha e serão apresentados nesta terça-feira pelo sindicato que representa a categoria, o Sindeepres.

"A terceirização não é mais aquela de postos de trabalho de baixa escolaridade e somente em atividades meio (aquelas que não são consideradas as atividades principais da empresa). Ela avançou para atividades de maior especialização", diz Pochmann, ao explicar que essa categoria profissional também passa por um movimento de ascensão social em relação ao grau de escolaridade dos pais.

"Enquanto 72% dos terceirizados têm nove ou mais anos de escolaridade, somente 25% de seus pais tinham a mesma fornação", diz.

Para o estudo, foram entrevistados 813 profissionais de oito cidades do Estado de São Paulo em agosto do ano passado.

Com a política de valorização do salário mínimo e a contratação de serviços de terceiros para atividades mais especializadas, a remuneração desses profissionais também avançou, de acordo com o estudo.

O salário médio foi de 2,3 salários mínimo no ano passado ante 1,7 em 2005 e 1,2 salário mínimo em 1985.

DESVANTAGENS

Ao serem questionados sobre as principais desvantagens de trabalharem terceirizados, quase sete em cada dez trabalhadores (68%) apontaram algum tipo de problema.

O principal deles foi o problema salarial - salário baixo ou inferior aos dos não terceirizados, com 32%. Em seguida estão: a percepção de que o trabalho é menos valorizado ou reconhecido em comparação aos demais (19%), o fato de possuir menos benefícios e/ou direitos trabalhistas que os não terceirizados (17%) e a menor segurança no emprego (10%).

Cerca de cinco em cada dez trabalhadores pesquisados já foram ou são funcionários de alguma outra empresa terceirizada (41% já foram e 13% são). Desses, 32% mencionaram ter trabalhado menos de um ano na empresa, 19% entre um e dois anos, 26% entre dois e cinco anos e outros 23% trabalharam por mais de cinco anos naquela empresa.

IMPACTOS

O estudo é o primeiro de uma série que irá analisar o impacto da terceirização e sua extensão no país.

No ano passado, após a tentativa de se criar uma regulação para garantir direitos e deveres das empresas e trabalhadores desse setor, representantes das centrais sindicais, das confederações patronais, do governo e do Congresso Nacional não chegaram a um acordo sobre o projeto de lei 4.330 , que propõe a contratação de terceiros em qualquer etapa da cadeia produtiva.

Ainda não há lei no país sobre terceirização no setor privado, mas a Súmula 331 do TST (Tribunal Superior do Trabalho) proíbe a prática para atividades-fim.

"A ausência de uma lei não traz benefícios aos trabalhadores e só estimula a perda de novos postos de trabalho. E uma sociedade sem acesso ao trabalho não se desenvolve e só aumenta sua dependência do Estado", diz Genival Bezerra Leite, presidente do Sindeepres.

Segundo Ministério do Trabalho e Dieese, há de 12 milhões a 13 milhões de terceirizados no Brasil, quase um quarto da força de trabalho com carteira assinada.

Fonte: Folha.com

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