Cancelar
Acesso CNTV

Igrejas e templos viram alvo de ladrões

28Ago

Em ) 10 15 a acordo

Não faz muito tempo que as igrejas e templos eram considerados locais intocáveis até pelos criminosos mais desalmados. Por temor a Deus ou por receio de eventuais consequências da profanação, mesmo as crianças "endiabradas" relutavam em chacoalhar o altarzinho de Nossa Senhora Aparecida que as vizinhas levavam para as mães e que tilintavam o som das moedas.

Atualmente, Bauru registra furtos semanais aos espaços sagrados, e os delitos muitas vezes são cometidos durante missas e cultos. Por conta disso, igrejas e templos têm alertado os fiéis e aumentado o investimento em segurança, com aparatos que vão desde grades em janelas até câmera de monitoramento.

Furtos semanais / No período de pouco mais de um mês, entre os dias 10 de julho e 15 de agosto, pelo menos quatro furtos foram registrados pela Polícia Militar. No último dia 15, à noite, uma mulher orava em uma igreja localizada no Centro de Bauru quando viu uma mulher sair correndo com sua bolsa. A ladra, de 32 anos, foi encontrada e autuada por furto.

Também no Centro, uma fiel colocou sua bolsa pendurada em um banco por alguns minutos, durante um culto evangélico, no dia 4 deste mês. Quando retornou ao local, o bem havia desaparecido. Dentro da bolsa estavam documentos dela e do filho, um aparelho celular, chaves do carro e mais R$ 350 em dinheiro.

Em julho, igrejas foram alvos de criminosos durante a madrugada. No dia 24, no Jardim Eldorado, a Igreja Santa Clara teve seu cofre arrombado e R$ 694 levados. Os ladrões arrebentaram a fechadura para entrar no local. Uma semana antes um templo evangélico foi invadido por bandidos, que fugiram com instrumentos musicais, microfones, DVDs, fios e carregadores elétricos.

Mais segurança / Para evitar que os fiéis fiquem receosos de frequentar as missas e cultos e garantir a paz nos locais sagrados, a Curia e o Conpev (Conselho de Pastores Evangélicos de Bauru) começam a reforçar a segurança. "As igrejas estão instalando cercas elétricas, grades, cerca concertina (ouriço) e algumas já estudam a instalação de câmeras de monitoramento", explica o presidente do Conpev, Ubiratan Cássio Sanches.

O pároco da Catedral, padre Marcos Pavan, diz que, além dos equipamentos de segurança, os fiéis recebem orientações antes de as missas começarem. "Alertamos para não deixarem bolsas sobre os bancos quando se ajoelham ou quando vão receber a hóstia, porque hoje muitas pessoas já entram na igreja mal intencionadas, premeditando o furto".

Algumas igrejas também mantêm um porteiro ou vigilante para garantir a tranquilidade dos frequentadores. "Em alguns locais é importante ter alguém de olho nos carros que ficam do lado de fora, porque furtos a veículos também estão aumentando", conta Ubiratan.

Ouriço
Cada vez mais comum em residências, a cerca concertina (conhecida como ouriço) começa a ser instalada em igrejas. O equipamento instalado sai, em média, R$ 27 o metro.

R$ 20
É o custo médio da hora de um vigilante

Trocando a fechadura
De acordo com o supervisor operacional da empresa de segurança Proseg, Fábio Franco Novaes, uma opção barata para residências e também igrejas, que pode dificultar um pouco a vida dos bandidos, é colocar uma fechadura com chave tetra

Dependentes químicos esquecem o temor

As igrejas e templos que mais sofrem furtos em Bauru são aqueles localizados no Centro, principalmente pela proximidade com a linha férrea e, consequentemente, com um maior número de viciados em crack.

"A droga deixa a pessoa alucinada, fora de controle, e o vício faz com que ela perca até o respeito pelas instituições sagradas", afirma o pároco da Catedral, padre Marcos Pavan.

Por conta disso, a Catedral, que fica na praça Rui Barbosa, e o santuário Nossa Senhora Aparecida (localizado na praça Washington Luís, perto do Poupatempo) têm cercas elétricas, grades nas janelas e devem receber outros aparatos de segurança em breve.

"Hoje há muitos dependentes químicos, que perdem totalmente a noção do que é certo e o que é errado, mas as igrejas estão abertas para todos. Então, o que resta, durante os cultos, é cada um ficar atento com o que é seu", salienta o pastor Ubiratan.

Embora esporádicos furtos ocorram, os templos de umbanda ainda não sentiram tanto a ação de criminosos, de acordo com o babalorixá da Aldeia Tupiniquim Ricardo Barreira. "Alguns terreiros têm colocado pessoas para vigiar os carros, mas no geral não temos sofrido esse tipo de violência. As pessoas ainda têm preconceito e, por isso, um certo receio da religião umbanda".

Bauru tem hoje aproximadamente 800 templos de Umbanda, 700 igrejas evangélicas e 25 paróquias católicas, de acordo com informações dos representantes destas instituições.

Vigilância e monitoramento são ideais

Embora a cerca concertina (ouriço) esteja na moda para proteger residências, prédios comerciais e até igrejas, o supervisor operacional da empresa de segurança Proseg, Fábio Franco Novaes, afirma que o ideal é colocar, junto com a cerca "ouriço" uma outra elétrica com monitoramento. "A cerca concertina pode ser cortada com um alicate. E a elétrica sem monitoramento pode assustar alguns criminosos. Mas aqueles mais preparados analisam se após o alarme soar algum vigilante aparecerá no local. Se não aparecer, o imóvel vira alvo de furto", diz.

O especialista destaca que grades nas janelas, fechadura elétrica, chave tetra e sensores de presença são aparatos que dificultam a ação de criminosos. No entanto, ele faz uma ressalta. "Quando há sensores de presença e cercas elétricas é preciso que haja alguém monitorando. Porque assim a vigilância vai rapidamente ao local e também aciona a polícia militar", explica.

Outra alternativa de baixo custo que pode inibir bandidos é instalar luzes do lado de fora do imóvel que acendem com a presença de pessoas. "Isso pode ajudar a assustar uma mal intencionada", diz Fábio.

0 comentários para "Igrejas e templos viram alvo de ladrões"
Deixar um novo comentário

Um valor é necessário.

Um valor é necessário.

Um valor é necessário.Mínimo de 70 caracteres, por favor, nos explique melhor.