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Alta demanda muda perfil de vigilantes

01Nov

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Se antigamente a categoria era formada só por homens fortes, atualmente já é possível encontrar grisalhos e mulheres Tisa Moraes A procura crescente por serviços de segurança privada fez surgir um novo perfil de profissional em Bauru. Ao contrário do que ocorria em tempos passados, eles não são mais, necessariamente, altos, jovens e fortes. Agora, há espaço também para agentes grisalhos, acima do peso e para os desprovidos de montanhas de músculos.

Uma realidade que preocupa, entretanto, é que também tem ingressado no mercado homens e mulheres nem tão bem preparados para desempenhar suas funções, conforme reconhecem até mesmo vigilantes consultados pelo JC. Ao mesmo tempo em que a exigência física mudou para que mais agentes pudessem ser formados como meio de suprir o aumento da demanda, o rigor em sua capacitação técnica e psicológica, apontam especialistas no ramo, também teve de ser diminuído.

Sob a condição de não ser identificado, um vigilante conta que, em cinco anos de atuação no ramo, já teve conhecimento de casos em que seguranças armados discutiram e destrataram clientes de bancos da cidade.

Além de agências bancárias, agentes armados são requeridos para garantir o patrimônio de indústrias e grandes empresas privadas. Os que não precisam portar armas – estimados em cerca de 60% do total - são destacados para atuar em diversos eventos, festas e casas noturnas, onde se concentra um grande número de pessoas.

“Neste último caso, o problema tem sido o uso excessivo de força para conter e retirar pessoas que causam algum tumulto. Existe muita gente mau educada, mas o vigilante que lida com o público não pode passar dos limites assim”, considera o vigilante.

Mas nem todas as empresas formam e recrutam seguranças irresponsáveis, conforme aponta Guilherme Costa, agente da Polícia Federal, órgão que autoriza e fiscaliza o serviço de segurança privada no Brasil. De acordo com ele, muitas delas são sérias. “E as empresas que contratam estes serviços também podem, e devem, se cercar de cuidados e estabelecer critérios internos para não contratar alguém despreparado”, diz.

Lei ultrapassada

Por outro lado, o próprio sindicato da categoria reconhece que os centros de formação clandestinos somam o dobro do total de empresas legalizadas no País. E mesmo estas últimas não oferecem, necessariamente, o serviço considerado ideal. A entidade, assim como a Polícia Federal, aponta que a lei federal existente para disciplinar a função data de 1983 e, embora tenha sido atualizada por diversas portarias, precisa ser reformada para dar conta do crescimento acelerado do setor.

“A Polícia Federal não pode exigir mais do que a lei prevê. Algumas portarias foram publicadas para aumentar o rigor para a formação de vigilantes, mas seria preciso uma reforma completa, porque as regras atuais estão muito defasadas”, considera Costa.

Segundo prevê a legislação, depois de formados em um curso de apenas 16 dias de duração, os agentes precisam ser submetidos a reciclagem a cada dois anos, que consiste em três dias aulas, seguidos de uma prova teórica e psicológica, além de um único teste com uso de arma de fogo. Outro segurança, com seis anos de profissão, detalha ainda que a capacitação deficiente não é o único problema que impede os profissionais de desempenhar bem o seu trabalho. Isso porque, devido aos baixos salários – em torno de R$ 1 mil mensais –, eles se veem obrigados a cumprir jornadas duplas em não raras situações.

Clandestinidade

O Sindicato das Empresas de Segurança Privada, Segurança Eletrônica, Serviços de Escolta e Cursos de Formação do Estado de São Paulo (Sesvesp) aponta que as empresas de segurança privada clandestinas somam o dobro do total das unidades legalizadas no Brasil. Por meio de nota, a entidade disse ainda que reconhece a necessidade de atualização da atual legislação federal e que tem lutado para que seja aprovado o Projeto de Lei 4594/2004, em tramitação no Congresso Nacional, que pretende criar o Estatuto da Segurança Privada.

Dentre as atribuições mais importantes das novas regras, está qualificar como crime a contratação de serviço de segurança clandestina, atualizar as exigências para a contratação de vigilantes e aumentar a qualidade dos cursos de capacitação. Para tentar sanar os efeitos negativos da desatualização da lei, o Sesvesp informa que tem oferecido suporte para que as empresas garantam o desenvolvimento profissional de seus vigilantes.

Advogados e professores fazem curso, explica diretor de centro

Embora agentes de segurança precisem ter ao menos o quarto ano do Ensino Fundamental, até mesmo pessoas com nível escolar superior freqüentam os centros de formação de Bauru, conforme revela o diretor-presidente de uma unidade da cidade, João Francisco Xavier. “Já tivemos advogados, professores de educação física e até gerentes de banco. Não podemos afirmar que o objetivo deste público é procurar emprego como vigilante, mas, se existe este interesse, é sinal de há ensino de qualidade nos centros de formação”, aponta.

Embora argumente que as escolas capacitam “excelentes profissionais” em Bauru, Xavier reconhece que ainda há falhas no preparo dos agentes, principalmente porque a legislação que regulamenta a função está desatualizad. “Mas é interessante ressaltar que o governo federal avalia dobrar a carga horária dos cursos. Esta mudança, certamente, vai aumentar a qualidade dos vigilantes formados”, avalia ele.

Xavier ainda defende que o número de seguranças no Brasil – que girariam em torno de 600 mil – é infinitamente maior do que a quantidade de ocorrências semelhantes à registrada em São Bernardo (SP), recentemente. “Falhas acontecem em qualquer profissão. Mas é falso afirmar, a partir de casos isolados, que toda a categoria está despreparada”, destaca.

“Se errar o alvo, ele atira até acertar”, denuncia profissional

Enquanto um policial militar (PM) demora cerca de um ano para se formar, uma pessoa não leva mais do que 16 dias para concluir um curso de segurança privada, já com habilitação, inclusive, para manusear armas de fogo em público. Para ser aprovado, o candidato a vigilante tem de despender cerca de R$ 700,00 que podem ser pagos parceladamente, ter concluído o quarto ano do Ensino Fundamental, não ter antecedentes criminais, frequentar as aulas do curso e ser aprovado em uma prova teórica e exame psicotécnico.

“Somente nos dois últimos dias de curso é que o cara vai pegar em uma arma. Tem uma provinha no último dia, mas ele pode tentar muitas vezes. Se errar o alvo, ele tem chances para atirar de novo, de novo e de novo, até acertar. É uma situação completamente distante da vida real”, conta um vigilante, que preferiu não se identificar.

Já um PM, apenas para aprender a manusear com segurança uma arma de fogo considerada simples, como uma pistola .40, é obrigado a cumprir um curso básico de 30 horas e disparar um mínimo de 250 tiros. “Usamos o método Giraldi, que prioriza a preservação da vida da população e do próprio policial”, detalha o coordenador operacional do 4º Batalhão de Polícia Militar do Interior (BPM-I), major Flávio Jun Kitazume.

Além das aulas de tiro, há ainda outros treinamentos que duram cerca de um ano e envolvem técnicas de abordagem e vistoria.

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